“Maior Copa de todos os tempos” tem início sob otimismo esportivo, desconfiança com a Seleção e incertezas fora de campo

Abertura do Mundial acontece nesta quinta-feira, com México x África do Sul, no Estádio Azteca

O público consumidor de futebol pode ser dividido, basicamente, em dois grupos. No primeiro, estão aqueles que acompanham dia após dia, sofrem com seus clubes e que, a cada quatro anos, passam a viver o maior evento do esporte. No segundo, estão os que não ligam a mínima para o jogo, mas que, durante um mês — ou mais, neste caso —, se juntam ao primeiro grupo para participar dessa grande celebração.

Não importa em qual deles você esteja. Fato é que, a partir desta quinta-feira (11), o planeta vai testemunhar o início da 23ª edição da Copa do Mundo. E na maior de todos os tempos: pela primeira vez, 48 seleções disputarão a competição, divididos em três países diferentes: Estados Unidos, Canadá e México sediam o evento

Exatamente 1271 dias terão se passado desde que a cobrança de pênalti de Montiel encontrou as redes do estádio Lusail, no Catar, para dar o tricampeonato do mundo à Argentina, até o pontapé inicial de México x África do Sul. Às 16h, no Estádio Azteca, as duas seleções protagonizam a abertura da Copa. 

Localizado na Cidade do México, o estádio se tornará o único a receber três edições de Copas. Além da atual, foi sede dos Mundiais de 1970 e 1986. 

A abertura também marca um reencontro. Há 16 anos, no Soccer City, em Joanesburgo, África do Sul e México protagonizaram o jogo de abertura da Copa de 2010. Na ocasião, empate em 1 a 1. 

Primeira rodada e novo formato

A conclusão do Grupo A acontece ainda nesta quinta, com Coréia do Sul x República Tcheca, às 23h. A partir da sexta (12), os dias ficam mais movimentados, com pelo menos duas partidas por dia. A conclusão da primeira rodada é na quarta-feira (17), com Uzbequistão x Colômbia, às 23h, também no Azteca. 

No dia 18 de junho, começa a segunda rodada da fase de grupos, com República Tcheca x África do Sul. Os últimos jogos acontecem na noite de 27 de junho, um sábado, às 23h, com a terceira rodada do Grupo J da competição. 

Por conta do acréscimo de seleções (são 16 a mais do que nas últimas Copas), o formato do torneio também muda. Além dos dois melhores de cada grupo, os oito melhores terceiros vão ao mata-mata.

Assim, a fase eliminatória terá uma etapa a mais. O primeiro jogo da fase 16-avos de final acontece no domingo, 28 de junho, e a final acontece também num domingo, no dia 9 de julho, às 16h. 

Desconfiança com a Seleção  

Rafael Ribeiro / CBF,Divulgação

Seleção teve ciclo conturbado até chegar a Copa do Mundo.Rafael Ribeiro / CBF,Divulgação

Se o público fiel ao futebol pretende dedicar a atenção até aos jogos mais "lado B" do torneio (há um Áustria x Jordânia em uma quarta-feira, a 1h da manhã, que só os fãs "hardcore" do esporte devem testemunhar), o público em geral aguarda ansioso pela a estreia da Seleção Brasileira.

No sábado (13), às 19h, o Brasil enfrenta o Marrocos, em Nova Jersey. Após um ciclo conturbado, com quatro treinadores (dois interinos) desde a saída de Tite, o italiano Carlo Ancelotti, que assumiu o cargo em março de 2025, fará seu 13º jogo no comando da Seleção Brasileira no primeiro dos desafios em busca pelo hexa.  

Para além do ciclo confuso, a Seleção também teve problemas já com a lista divulgada. No último amistoso antes da estreia na Copa, a vitória por 2 a 1 sobre o Egito trouxe uma preocupação a mais para Carlo Ancelotti. O lateral-direito Wesley, da Roma, foi cortado. Mas ainda não há uma definição na posição. 

O adversário também terá um desfalque importante. No último amistoso antes da estreia, contra a Noruega, o Marrocos perdeu o atacante Abdessamad Ezzalzouli, com uma lesão no joelho. Ele ainda corre o risco de ficar fora do restante do Mundial. 

O Brasil está no Grupo C do Mundial. Além dos africanos, estão com Haiti e Escócia, que estreiam também no sábado, mas às 22h, em Boston. 

Se passar em primeiro, a Seleção viaja a Houston, no Texas, onde encara o segundo colocado do Grupo F, que tem Holanda, Japão, Suécia e Tunísia.

O outro lado da moeda  

Como todo grande evento esportivo, no entanto, nem tudo é positivo. Ao longo de todo o ciclo da Copa, especialmente em razão de um Donald Trump pouco afeito à política da "boa vizinhança" nas relações internacionais, não faltaram polêmicas.

O principal jornal esportivo francês, o L'Équipe, não poupou críticas ao presidente dos Estados Unidos. Nesta quarta-feira (10), véspera de abertura da Copa, publicou uma capa na qual ilustra Trump segurando um fantoche de Gianni Infantino, presidente da Fifa. 

A imagem é uma alusão à relação próxima da entidade com o governo americano. Críticos do evento afirmam que a entidade poderia ter agido de forma mais dura para evitar, especialmente, problemas nas relações entre os países.

Uma das polêmicas envolve a presença dos estrangeiros no país. Considerado o melhor árbitro da África, Omar Artan, da Somália, foi barrado e não irá apitar no torneio. Já a seleção do Irã, envolvida em guerra com os EUA, será obrigada a chegar e deixar o país no mesmo dia das partidas. 

No México, mais protestos. Nesta quarta-feira (10), véspera da abertura do evento. Milhares de manifestantes bloquearam ruas e avenidas da capital do país. As autoridades, no entanto, garantiram que o jogo não seria afetado. 

Dividindo opiniões, fato é que ninguém fica indiferente a uma Copa do Mundo. Gostando ou não de futebol. Torcendo ou não para a Seleção. Fato é que, a partir desta quinta-feira, saberemos para qual lado as moedas vão pender. 

Fonte: GZH Zero Hora

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