Solo com memória: o que a safra de 2025/26 revelou sobre quem cuida e quem descuida da terra

Cotrisal alerta para diferenças de produtividade dentro do mesmo município.

 No encerramento da safra de soja 2025/26, uma constatação silenciosa percorreu as lavouras dos associados da Cotrisal: produtores vizinhos, submetidos às mesmas chuvas, colheram resultados muito diferentes. A explicação, segundo o engenheiro agrônomo e gerente técnico da Cotrisal, Nazaré Piran, não está no clima, está no solo.

"Num mesmo município, nós temos visto algumas diferenças de produtividade. As mesmas condições de chuva, e um produtor colhendo num talhão mais que o outro. Muitas vezes isso está associado ao que ele está fazendo de diferente dentro da sua propriedade", afirmou Piran, em participação no Informativo Semanal Cotrisal, veiculado na semana do Dia Nacional da Conservação do Solo, comemorado em 15 de abril.

          Um terço dos solos do mundo já está degradado

     O contexto não é pequeno. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) estima que cerca de 33% dos solos globais perderam parte da capacidade de cumprir funções essenciais: produção de alimentos, regulação da água, suporte à biodiversidade. Erosão, salinização, compactação, acidificação e contaminação são os principais vetores do problema. Aproximadamente 3 bilhões de pessoas no mundo são afetadas por esse processo. No Brasil, a data de 15 de abril foi instituída justamente para qualificar o debate sobre o tema dentro e fora do campo.

           Conservação não é um manejo isolado

     Para Piran, o erro mais comum é tratar conservação como uma prática pontual. "Quando se fala em conservação do solo, não é um manejo isolado. Nós temos que pensar como um sistema. Um sistema onde as plantas fazem parte, onde os micro-organismos fazem parte, onde a adubação correta faz parte, o manejo de acidez, de calagem também faz parte."

     Rotação de culturas, plantas de cobertura, análise periódica do solo e equilíbrio biológico compõem o conjunto mínimo que o técnico recomenda. "Conservação de solo é complexo, mas não é difícil", resume.

          Doença radicular: o problema invisível desta safra

     Um dado que chamou atenção nesta safra foi a morte de plantas acima do esperado, no estabelecimento das lavouras e no final do ciclo. Segundo Piran, o problema tem origem na saúde biológica do solo.

     A recomendação da equipe técnica da Cotrisal é a aplicação de biofungicidas à base de tricoderma e bacilos ainda agora, no período entre safras, com temperaturas mais amenas. O custo estimado é de 30 a 40 reais por hectare. "Aplica agora, para que eles se reproduzam no campo e comecem a agir, diminuindo a população dos micro-organismos que são patógenos no solo."

     O timing tem lógica agronômica: a previsão para a próxima safra aponta condições de El Niño, com maior umidade no solo durante o plantio. E excesso de umidade combinado com desequilíbrio biológico é fórmula conhecida para mortalidade de plantas.

          Nabo, ervilhaca e o mix de cobertura

     Para produtores que planejam plantar trigo em junho, ainda há janela para semear nabo, cultura de cobertura que acelera o desenvolvimento e contribui com nitrogênio ao sistema. Quem optar por um mix de cobertura tem ainda mais benefícios: ervilhaca aporta nitrogênio e atividade biológica, aveia cicla potássio e enxofre e auxilia na descompactação.

     "Uma espécie isolada não consegue fazer tudo isso ao mesmo tempo. Quando você associa espécies, você favorece o complexo de benefícios de cada uma, deixando o solo mais equilibrado", explicou o agrônomo.

          Dados como ferramenta de gestão

     Piran aproveitou o espaço para reforçar a conexão entre conservação e gestão baseada em dados. Produtores que utilizam a plataforma SmartCoop, disponibilizada pela Cotrisal, conseguem registrar todos os investimentos da propriedade e gerar um demonstrativo de resultado por safra. "As tomadas de decisão das propriedades que estão bem são baseadas em dados", afirmou.

          O solo tem memória

     Nazaré Piran encerrou sua participação com uma frase que sintetiza a filosofia por trás de tudo que foi dito: "O solo tem memória. Tudo que o produtor fizer de bem hoje para ele, na próxima safra ele vai retornar com maior produtividade”. O recado para o produtor é direto: o solo não é apenas o chão onde se planta. É o maior patrimônio da propriedade e merece ser tratado como tal.

Fonte: Assessoria de Comunicação Cotrisal

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