Inter recebe o Grêmio no duelo de ida das quartas de final da Copa do Brasil

Gre-Nal 453 acontece nesta quinta-feira, às 20h, no Beira-Rio

O roto contra o esfarrapado. O Gre-Nal 453, marcado para esta quinta-feira, às 20h, no Beira-Rio, coloca frente a frente duas versões bastante enfraquecidas de Inter e Grêmio. Não é a primeira vez que o maior clássico gaúcho chega cercado por problemas dos dois lados, mas o momento atual chama a atenção até para os padrões de um confronto acostumado a sobreviver às próprias crises.

Inter e Grêmio avançaram às quartas de final da Copa do Brasil, mas fazem campanhas decepcionantes no Campeonato Brasileiro. Os dois somam o mesmo número de pontos e apresentam aproveitamento de quem vai brigar contra o rebaixamento até a rodada final. Nesse cenário, eliminar o rival ganhou um peso ainda maior. Mais do que avançar na competição, vencer o Gre-Nal pode representar uma rara oportunidade de aliviar uma temporada marcada por dificuldades dentro e fora de campo.

A classificação também tem um componente financeiro considerável. O clube que superar o confronto e chegar às semifinais receberá uma premiação de cerca de R$ 9 milhões da CBF. Para dois clubes que enfrentam dificuldades econômicas, estão impedidos de registrar novos jogadores por dívidas com outras equipes e convivem com atrasos em pagamentos, não se trata exatamente de dinheiro para enriquecer, mas certamente é uma quantia capaz de fazer diferença no caixa.

Há, ainda, o aspecto psicológico. Inter e Grêmio estão próximos da zona de perigo do Brasileirão, e uma derrota para o maior rival justamente em uma decisão de mata-mata pode ampliar uma crise que já não é pequena. Para o vencedor, haverá a possibilidade de respirar. Para o perdedor, o baque poderá ser difícil de absorver. A Copa do Brasil, que até aqui serviu como contraponto às campanhas ruins no campeonato por pontos corridos, pode terminar se transformando em mais um problema.

Escassez x Fartura Relativa

Dentro de campo, os sinais também não são animadores. Paulo Pezzolano convive com uma escassez evidente de alternativas, especialmente no setor ofensivo. O Inter contratou recentemente dois jogadores vindos da Europa: o paraguaio Antonio Sanabria e o sueco Niclas Eliasson. Ambos tiveram pouco tempo de treinamento e devem ficar à disposição para o clássico, mas a tendência é que comecem no banco. Não há, por enquanto, qualquer indicação de que possam assumir imediatamente o papel de salvadores de um time que quase nunca vence.

Do outro lado, o Grêmio possui um elenco com mais opções, sobretudo quando comparado ao rival. A fartura relativa, porém, também pode se transformar em problema. Nas últimas semanas, o técnico Luís Castro alternou esquemas e formações, deu espaço a jogadores que pareciam nem merecer e não conseguiu estabelecer uma estrutura definitiva. Ter alternativas é uma vantagem, desde que se saiba quais delas utilizar.

Tudo isso, porém, perde um pouco da importância quando a bola rola. Porque é Gre-Nal. E clássico costuma ignorar lógica, momento, retrospecto e até bom senso, quando necessário. O primeiro duelo será no Beira-Rio e abrirá a disputa por uma vaga nas semifinais da Copa do Brasil — e, para o vencedor, por mais uma importante cota financeira. A definição, no entanto, ficará para a próxima quinta-feira, dia 3, na Arena.

Até lá, Inter e Grêmio terão mais de 90 minutos para provar que são melhores do que parecem. E, convenhamos, não é uma tarefa tão difícil assim.

Copa do Brasil 2026 – Quartas de final (ida)

Inter
Matheus Cunha; Bruno Gomes, Maripán, Gabriel Mercado e Matheus Bahia; Villagra, Bruno Henrique, Vitinho, Alan Patrick e Bernabei; Carbonero. Técnico: Paulo Pezzolano.

Grêmio
Weverton; Diego Caito, Gustavo Martins (Wagner Leonardo), Wallace e Marlon; Noriega, Villasanti e Krovinovic; Pavón, Amuzu e Carlos Vinícius. Técnico: Luís Castro.

Fonte: Correio do Povo

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